quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

25 de dezembro








 Acho que vale a pena cair no clichê do fim de dezembro e falar sobre o famigerado dia 25. Por uma convenção que poucos cristão conheçem a causa, o nascimento de Cristo é comemorado nesse dia, por mais que saibamos que Ele pode ter nascido em qualquer época do ano. Mas o que é mesmo um cristão? O que é cristianismo? Eu não faria essa pergunta a qualquer padre ou pastor sem medo da resposta. De qualquer forma o que eu li ou ouvi aqui e ali é que esse segmento religioso, assim como tantos outro, valorizam o altruísmo e o desapego as riquezas materiais. Que lindo. O mais bonito é que na celebração pelo nascimento do Messias o comum de se ver é a troca de presentes, gentilezas e docilidades entre os entes queridos. Também é comum ver o movimento quintuplicar nos shoppings centers... se bem que o natal não tem que ter relação com o comércio... ou tem? Enfim, indo ao que é importante ser dito o dia 25 não tem absolutamente nada a ver com Cristo. Primeiramente porque era impossível uma criança sobreviver a madrugada de Belém, Palestina, nesse período do ano dentro de uma estribaria como narra os textos blíbicos aos quais temos acesso. O mais provável é que Jesus tenha nascido entre os meses de março e outubro, pois pelo menos nessa época o clima é mais favorável a um acontecimento dessa natureza no Oriente médio. A verdade é que essa tradição é absorvida por nós do culto pagão a deusa persa Mitra “Natalis Solis Invicti” que seria o “nascimento do sol invencível” que acontecia nos dias 21 e 22 de dezembro quando ocorre o soistício de inverno no hemisfério norte marcando o início inverno. Os Mitraístas então marcaram o dia 25 como dia de “Natalis Solis Invicti”. Até ai beleza, mas vocês tão lembrados do imperador Constantino? Foi ele que propiciou a união dos igreja cristã aos cultos pagãos e acabou misturando tudo lá em Roma. O Juliano, sobrinho de Constantino, que adorava a deusa Mitra (e provavelmente também era chegado numa suruba) achou ótima a posição da igreja romana que decidiu facilitar a aceitação da fé pelas massas pagãs  convinientemente adotando o dia 25 de dezembro como data do nascimento temporal de Cristo (Pense numa manobra!). Bem...de alguma forma Cristo nasceu OK? E mudou o mundo(pra melhor) por mais que ateus, agnósticos e afins achem isso bem relativo. Na verdade essa conversa toda se teve objetivo de dizer uma coisinha. O natal não é, nunca foi e nunca será no dia 25 de dezembro, logo não espere por um dia do ano pra dar uma de cristão pra cima de mim.

Enquanto tu se entope de queijo do reino e pêsego em calda tem gente dormindo na rua e morrendo de fome. Pense nisso e tenha um feliz natal.

Eu vou continuar no meu observatório, comendo arroz com passa e contemplando a imensidão.

P.S Aceito presentes em qualquer época do ano.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Maçã do amor.

 É incrível como qualquer acontecimento por mais simplório ou absurdo que seja tem a capacidade de despertar nosso pensamento. Dia de 5ª feira, como de costume, eu volto tarde da noite da universidade. Subo no ônibus, atravesso a catraca, procuro um lugar. Hoje dei de cara com uma senhora atracada com uma maçã do amor daquelas caprichosamente carameladas. Desculpe-me se a minha visão é um tanto preconceituosa, mas uma maçã daquele jeito, coberta com aquele doce tão vermelho, com aquele granulado colorido, aqueles dois palitos coloridos cravados, aquilo ali merecia uma menininha de quatro anos lambendo.
- Tu queres maçã Babi?
- Eu queres papai!
Enfim... depois de ser atraido por aquela maçã e sentar bem atrás da senhora que a portava, comecei a observar com meu jeito discreto a dificuldade que aquela velha tinha para comer a maçã, também pudera, ela usava dentadura. Você já viu uma pessoa que usa dentadura comendo uma maçã do amor? Não? Não queira ver. É uma coisa agoniante tanto pra quem assiste quanto pra quem sofre o momento. O sofrimento deve ser parecido com beijar de língua usando um aparelho odontológico extra oral. O caramelo grudava na dentadura e ela tentava tirar com a língua ao passo que conversava alguma coisa com a colega ao seu lado que fingia a entender enquanto tosquenejava bonito. Eu ainda imaginei: Onze horas da noite não é um horário complicado pra arrumar uma maçã do amor? Será que não faz mal comer isso essa hora? Essa mulher não tem medo de quebrar essa chapa no meio?
É ai que você começa a pensar... por que a gente so se satisfaz com as coisas mais difíceis? Eu mesmo nunca namorei com nenhuma garota de minha rua, quarteirão, bairro. Por que a gente sempre quer as paixões mais complicadas? Aquelas impossíveis? Aquelas que não valem a pena? Por que diabos a gente se apaixona por quem não merece nossa atenção? É muito complicado... Parece que somos atraídos pela dificuldade. É possivel que você viage o mundo todo e por fim se case com sua vizinha, e o pior, seja feliz. Pode ser que você leia todos os livros da Library of congress em Washington e uma tirinha do Angeli, ou um pedaço de um folheto de cordel te desperte finalmente uma idéia pra mudar o mundo. Mas ai o que a gente diz pra Babi?
- Eu queres maçã, Papai!
- Não Babi. Você vai comer banana que é mais fácil.
Se eu bem me lembro, um moço mineiro chamado Mário uma vez versou:
Se as coisas são intangíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...Que triste os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!” (Né Quintana?)
Na verdade eu devo estar falando besteira no lugar de ir buscar a maçã do amor que deixei escorregar de tanto caramelo. O que eu posso fazer além de ficar no meu observatório comtemplando a imensidão?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Pouca Vergonha

 Todo mundo nasceu nú e isso é uma verdade inegável. Ninguém teve o direito de cobrir as vergonhas nos primeiros segundos de vida, até por que nesse momento ninguém tem noção do que é vergonha. A roupa e a vergonha vem um pouco depois. Tempo suficiente pra gente descobrir que nosso corpo é tão feio que a exposição do tal chega a ser indecente (pelo menos eu acho que é assim que pensam). Com o tempo é que nos cobrem de roupas e a medida que vão nos cobrindo de roupa nos cobrem também de vergonha, nem sei bem quem ganha o que com isso e também nem faço idéia de como começou. Há quem diga que o problema todo vem do Édem e da maldita dentada na maçã vermelha. Tal hipótese não me convence muito até por o Édem em si não me convence de jeito nenhum. Eu particularmente desconfio que isso tudo começou quando neguinho descobriu que podia vender roupa e enrriquecer fazendo isso, mas o que eu penso pouco importa, o que importa é que, de fato, ninguém vive sem roupa por causa da vergonha que a ausência dela traz. Entretanto não se pode relacionar a quantidade de roupa a timidez de um pessoa,(a regra de três pode não ser direta) pois eu, por exemplo, embora seja adepto do jeans e camisa sem muito luxo me acho mais idôneo do que alguns cavalheiros de terno, colete e gravata. Enfim, se a roupa nos traria a cura para a exposição vergonhosa e nos traria por fim a vergonha que precisamos pra viver em sociedade por que será que existe tanta gente bem vestida e nenhuma vergonha na cara? Um dia eu faço igual a Rita... não igual a Rita do Chico lógico, porque essa não tinha nem roupa nem vergonha. Se Deus quiser eu também quero ser índio, viver pintado de verde num eterno domingo e tomar banho de sol, banho de sol... Mas enquanto, com uma bermuda velha e rasgada que adoro, eu digito essas linhas entre a pausa da leitura de um e outro livro, alguma moça, que provavelmente nunca leu um livro, compra uma bermuda parecida com a minha cujo preço consumiria meu salário do mês do outro lado da cidade. Eu teria vergonha de pagar tão caro numa roupa. Bem... a discussão sobre os hábitos de moda e consumismo vai por outro caminho da minha inquietação primária e merece uma outra observação... de qualquer forma eu me sentiria melhor pelado do que vestindo certos tipos de roupa. No meu caso eu teria vergonha de estar vestido.

Mas isso já renderia mais do que me aquiesce comentar agora.
O que me resta é continuar no meu observatório
Contemplando a imensidão...

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Viver dói.

As vezes eu vou dormir com uma dor no peito, desejando não ter que acordar no outro dia, mas não tem jeito... uma hora eu tenho que levantar da cama, e por mais que eu não esteja tão simpático comigo mesmo, eu tenho que olhar meu rosto no espelho e pra aquela cara inchada de quem dormiu a noite toda e acordou cansado de novo. Depois desse confronto é só ligar o automático e fazer o necessário pra continuar levando a dia. As vezes a máquina da "tilt", principalmente nos momentos em que se para pra pensar. Só ai eu que eu me dou conta do quanto minha vida é frustrada e o quanto eu já deixei de sonhar ao longo desses meus poucos anos de vida (quantos não seriam os sonhos perdidos se fossem muitos os anos). Não posso reclamar da vida... afinal vivo. Não se destrata assim quem sempre lhe deu oportunidade de existir, mas minha vida não tem sido nada do que eu imaginei. Nenhum sonho, nenhum amor, nenhum motivo... não pude escolher nada até agora. Talvez eu não tenha direito sobre minha vida, talvez seja até mesmo prisioneiro dessa condição afinal, há alguma forma de existir sem vida? Uma coisa é certa: quando eu coloco essa dor de viver entre letras é como se estivesse vendo a cara da dor. Eu sei que ela não vai doer menos por isso, nem vai deixar de me maltratar tanto, o que eu tenho, pelo menos, é uma forma razoável de assumir que viver dói e de doer por mais um dia.

Ainda assim é no mínimo ingênuo conceber uma boa forma de encarar a vida crua. Talvez o fenômeno da vida seja parecido com uma luta em que um pugilista sobe no ringue certo que vai apanhar até o nocaute e ainda assim não desiste de arriscar alguns socos. Os socos do seu adversário doem bem mais. Deus me preserve da ingrata missão de achar um sentido pra vida. Eu só sei que vivo porque não tenho como fugir disso ainda que corte meus pulsos. O mistério de existir está muito longe da minha cabeça tão miúda...


Então vou ficar por aqui...


Contemplando a imensidão.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

dale Chico Bento!

Talvez uma consideração inteligente faça alguém incoveniente se tocar...














Mas é fato que ninguém é de ferro...













Eu vou ali contemplar a imensidão.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Festival de verão de onde mesmo?

Ivete Sangalo, Banda Cheiro de Amor, Timbalada, Jammil... Qualquer retardado sabe o que essas bandas têm em comum. Eu começei meio grosseiro não foi? Perdão... É porque de certa forma uma pessoa sensata há de convir que fica difícil fazer um festival de verão do RECIFE com tanta banda de SALVADOR. Não tenho nada contra a música da Bahia, mas sinceramente eu to começando a desconfiar que os organizadores do evento tem alguma coisa contra a música do Recife. Como é que podem contratar 8 shows em dois dias de festa sem chamar pelo menos uma... umazinha! banda genuinamente pernabucana? Aliás, to sendo injusto, tem duas bandas que creio ser de pernambuco. Uma delas se chama "Garota" e vem dessa nova geração que nos faz sentir vergonha do nosso forró e a outra chama-se Amigos sertanejos (Eu preciso comentar?!?). Não quero ser dramático nem barrista, mas isso me deixa doente. Lógico que EU NÃO VOU pra essa festa por uma questão de pricípios... e nem me convidem! Talvez se a festa não fosse logo depois do carnaval ou se pelo menos tivesse outro nome que não fosse esse nome mentiroso... Enfim... talvez os donos da festa não sejam pernambucanos, pensando bem... nem se tivesem nascido no meio de uma troça de frevo nos quatro cantos em Olinda eu chamaria eles de pernambucanos.
Mesmo com tudo isso eu tenho que agradeçer a essa galera pois "Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal" né Dalai Lama?

Eu repito que não vou, se você for faz o favor de dizer a Ivete que ta mais fácil achar o Osama Bin Laden do que a tal Dalila que ela tanto manda buscar rsrsrsrsrs

Vale acrescentar que a gelera que vem tocar aqui não tem nada a ver com isso e que todo esse pessoal competente só ta fazendo o trabalho pelo qual foi pago, mas eu sou obrigado a observar que por incrível que pareça não tem nenhuma orquestra de frevo tocando na *$!#§ do festival de verão do Recife... estranho né?


Só me resta ficar aqui no meu observatório comtemplando a imensidão...

Neo Neo

O que eu não consigo entender é aquele tipo de gente que nem te conheçe direito e já vai dizendo como você tem que ser. Aquela galera "antenada" que sempre ta por dentro das tendências (Ou simplesmente fala demais) e gosta de dizer como vc deveria se vestir, se comportar, quais ambientes freqüentar, com que frenqüencia e com quem... O triste é ter que admitir que essas pessoas são quase a maioria do mundo! Então você começa a se perguntar onde diabos foi parar o respeito as diferenças?!? O mundo ta de cabeça pra baixo e a prova disso é que essa expressão já ta ficando clichê. A verdade é que hoje em dia uma pessoa normal tem duas opções: se abriga em alguma ilha ou fica à deriva no oceano (Pra quem não entendeu eu vou explicar a metáfora). A nova ordem é: Aliene-se! Rotule-se! Pertença a alguma tribo pelo amor de Deus! Quer seja Gay, Emo, Hippie, Nerd, Pagodeiro, Punk, Crente... alguma coisa fácil de identificar. Quanto mais eu observo esse caos que a gente criou eu me sinto mais um extra terrestre. To vendo que o pior inimigo do homem é ele mesmo "O homem é lobo do homem" né Hobbies? Mas essa sociedade merda já tá tão podre que falar mal dela já perdeu a graça... O que resta é desligar a visão periférica e fazer os árbitros covardes, que querem nos reconstruir com o tijolo deles, de otários! Mas eu não to aqui pra começar uma revolução afinal... assim como um cara ai disse a algum tempo que não é besta pra tirar onda de herói, eu também sei que Curango Kid só existe no gibe!

fazêoque?!?

Vou ficar nesse meu observatório comtemplando a imensidão!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um dia eu chego lá...

            Todo mundo tem o mesmo sonho clichê de um dia chegar lá, inclusive eu, mas onde diabo fica esse lá? O que determina esse alvo, o “Lá”, é um fator variante peculiar de quem quer alcançá-lo. Para alguns “Lá” é um salário de três, quatro, cinco... Dez mil. Simples assim, mas o meu “Lá” não é tão perto, na verdade não seria vendido nem por centenas de milhares, mas um dia eu chego lá. É parecido com vencer na vida. Vencer na vida é comprar um carro do ano todo ano, uma casa em um bairro nobre e outra na praia, montar um bom guarda roupa, ir a reuniões sociais importantes, comprar amigos submissos e tudo regado a wiskey com gelo de água de côco? Eu quero um pouco mais que isso... Meus padrões são elevados demais pra essa sociedade idiota, desculpem-me a falta de modéstia, mas é a mais pura verdade. O que quero na verdade é tão pequeno e tão raro quanto um diamante azul, não quero glória, pois quem busca somente a glória não a merece (né Mário Quintana?) prosperidade também é muito relativo (eu só quero se for a do dicionário de latim “prosperitas – prosperidade; felicidade).

 

            Acho que a algum tempo as pessoas não precisavam de tanta coisa ao seu redor para serem felizes, talvez porque seus corações fossem menos vazios...

 

            Mas o que me fere os olhos ao observar é que as pessoas querem chegar “Lá” como se estivessem numa corrida de demolição e não olham para os lados. Pouco me importa o sonho da tua vida somente não atropele ninguém para consegui-lo. A vida não é uma competição!

 

Mas... enquanto eu não chego lá eu fico por aqui no meu observatório contemplando a imensidão.

  

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sobre os romanticos...

A quem diga que um cara chamado Camões foi o cara mais romântico da história, tudo por causa daquele lerolero de que "Amor é fogo que arde sem se ver e blablabla e blablabla", mas eu aposto que soubessem que, em um naufrágio, o camarada Camões preferiu salvar o rascunho da obra “Os Lusíadas” à sua namorada, que por sua vez, morreu afogada, repensariam essa idéia. Como diria meu avô: Falar é fôlego, mas cagar é sustança!. Meio grosseiro eu assumo, mas a ausência de léxico fino é proporcional a veracidade do provérbio. Existem raros românticos verdadeiros desde a fundação do mundo e não é por acaso. Adão foi o primeiro trouxa...(Perdão) Adão foi o primeiro cidadão que deu uma de romântico...
- Uma maçãzinha meu amor?
- Lógico minha linda Eva!
(Lascou!)
Os românticos não pensam muito antes de agir e isso é que complica a situação tornando a vida dos apaixonados numa tragicomédia. Quem nunca escreveu uma carta de amor daquelas ridículas (hein Fernando Pessoa?). Eu não sou aquele amante à moda antiga do tipo que ainda manda flores, mas acredito que até mesmo eu com toda essa inclinação "cult" posso ser um dos caras mais bregas do mundo caso pegue essa virose. Mas como eu ia falando... falar é bem mais simples. Vinícius de Moraes escreveu o Soneto de Fidelidade, mas dizem as más línguas que ele só era fiel ao o Wisky "O Wisky é o melhor amigo do homem, é o cachorro engarrafado." To chegando à conclusão que o amor ta bem longe daquilo que os românticos pintam. Talvez pouquíssimas coisas que os românticos pintam podem ser levadas em consideração. Eu poderia até me atrever a dizer que um romântico não ama alguém necessariamente, mas ama a própria situação caótica da paixão, mas ai vocês me pediriam argumentos, fontes, exemplos um monte de quinquilharias pra sustentar o meu discurso e... eu não to afim não.

Por isso eu somente fico no meu observatório contemplando a imensidão.






http://www.youtube.com/watch?v=rM_l17HFr54

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Não tem mais "sem noção" pernambucano...


Tem gente muito esquisita no mundo... outro dia eu vi um cara com piercing na bochecha e fiquei me achando careta, mas vale acrescentar que um artefato de metal incrustado na face é no mínimo mais "confortável" do que na genitália, enfim... Tem gosto pra tudo e falando em gosto eu não podia deixar de observar daqui do observatório as variedades excêntricas de gosto musicais que existem mundo a fora, primeiro porque eu moro na cidade mais e esquisita (e mais gostosa também amigos hispânicos) do mundo. Eu moro e morro no Recife. E quem já xeretou a parte alternativa do Bairro do Recife antigo (a ilha underground) conhece todos os significados da palavra diferente. Na cidade do Recife não existe preconceito musical tanto que se em um bar só se toca metal em um outro mais à frente só se escuta reggae, sem contar que não é difícil ver um cover do meu amigo Roberto Carlos abrindo o show de uma orquestra de frevo. E onde finalmente eu vou chegar com essa conversa mole? É o seguinte: quando um músico pernambucano te disser "finalmente eu vou fazer meu som" nunca caia na gafe de fazer a perguntinha cretina: Qual é o estilo? Certamente o que vai se ouvir é um silencio sepulcral onde nem os grilinhos do jardim se atreverão a fazer um "cri cri cri". Pleonásmicamente falando, observando do observatório eu pude observar que não existe lugar onde uma banda chamada mombojó (que não quer dizer absolutamente nada) seria tão bem compreendida, imagina só se eu falasse de mula manca e fabulosa figura ou Eddie. O Recife é um lugar de doido. É o único lugar em que na festa de final de ano todo mundo faz questão de ir à orla munido de champagne, camisa branca e chinelo de dedo pra assistir aos gritos o show de uma banda chamada Cordel do fogo encantado (e eu to invocado porque perdi o show!). A odisséia musical do Recife deixa até Homero de cabelos em pé... e o carnaval vem ai pra piorar/melhorar a situação, porém eu posso sorrir para você sem culpa (né China?)...

Eu não to nem ai nem aqui nem em lugar nenhum, só aviso a quem quiser encher a cara de "ki suco" nesse carnaval volte pra casa de onibus...

Eu não sou folião eu só fico aqui no meu observatório contemplando a imensidão





domingo, 16 de novembro de 2008

Pensando bem...

Reflexão Sobre a Reflexão

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.

-Millôr-


Perguntas incomuns sempre permearam meu cotidiano ou proferidas por alguns seres de raciocínio lento ou por filósofos loucos, mas por certo tempo eu me prendi a coisas mais concretas como a lei do empuxo de Arquimedes ou coisa parecida. Eu não sabia que as perguntas mais interessantes não tinham respostas. Talvez algum louco enfurnado em um laboratório queira descobrir se Adão tinha ou não tinha umbigo ou se a zebra é branca com listras pretas ou se é preta com listras brancas. Eu tenho que admitir que estas questões anteriores não servem pra muita coisa. Entretanto se todo mundo direcionasse o pensamento a algumas especulações que somente alguns raros se atreveram, as sinapses talvez causassem um curto-circuito no mundo (uma vez que é tão difícil existir tanta gente pensando em coisa difícil ao mesmo tempo), mas ainda assim seria no mínimo interessante imaginar os telespectadores viciados se perguntaram – novela por quê?(doce ilusão). O problema é que pensar cansa muito e exige um certo ócio criativo e quando uma “cultura aristocrata” resolve oferecer um pensamento previamente formado fica bem mais encaixar isso na cabeça do que desenvolver seus próprios pensamentos... O problema é que nem sempre a encomenda serve. É preciso pensar, esse verbo se torna cada vez mais raro hoje em dia. Tem sempre algum árbitro impedindo nossa fruição interrogativa. Quem matou o pobre gato curioso? De que ria a Gioconda ? Por que o pato não escolhe se quer andar, nadar ou voar? Enfim... Eu me rendo... Eu me rendo... Por mais idiotas que as perguntas pareçam é melhor pensar na sistematização do absurdo do que estar em completo estado de abstenção intelectual.

Mas enquanto você pensa se Adão tinha ou não tinha umbigo...
Eu fico por aqui no meu observatório contemplando a imensidão...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa

domingo, 2 de novembro de 2008

Identidade

Foi num show de rock barulhento que eu perdi minha carteira com todos os documentos. Na hora em que me dei pela falta dela fiquei com "cara de paisagem", atordoado ao ponto de acender cigarro pelo filtro. Mas no meio da euforia gritante das garotas que se rasgavam pelos dreads do cantor da banda, eu era o único que, sem pular nem acompanhar a canção, fiquei à filosofar pensando: E agora? Quem sou eu? Eu não tinha mais carteira de identidade, título de eleitor, carteira de motorista, carteira de estudante nem dinheiro (dinheiro as vezes diz quem nós somos). Depois da primeira aflição de ter perdido minha "identidade" no meio dos fanáticos adoradores do rock'n roll e maconheiros homens de negócios, me veio o insiting. Eu posso ser quem digo que sou e ninguém terá como me desmentir. Que sensação de liberdade! Eu poderia viver eternamente aquele momento... imagine que eu poderia ser uma pessoa diferente quando me desse vontade ou simplesmente ser qualquer coisa em qualquer tempo sem nenhuma identidade fixa a me aprisionar? Seria sempre "o avesso do avesso do avesso do avesso" (né Caetano?). Mas a ilusão não durou muito e logo me dei conta que tinha que prestar queixa na delegacia pedir um boletim de ocorrência e bla bla bla e bla bla bla. Isso me fez achar graça daqueles que dizem: estou a procura da minha identidade... Conselho? Não vá à shows de rock'n roll! Você pode perder o pouco que ainda tem... Só depois de perder a minha identidade foi que vi que qualquer coisa através da qual seja possível determinar quem somos o que somos e como somos pode ser perigosa demais. Pode ser que um indigente essencialista seja o cara mais normal do mundo e que o funcionário público mais reponsável da repartição tenha transtornos com a personalidade, mas isso ai dá muito pano pra manga...

Eu prefiro ficar aqui no meu observatório comtemplando a imensidão...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tudo é vaidade

Eu sempre me achei meio magrinho assumo, mas nunca chegei a um grau de vaidade que me fizesse ter que ir além do que minha integridade física agüenta... Como malhar por exemplo. Os inquilinos de academia por favor me perdoem, mas exercícios repetitivos nunca foram muito divertidos pra quem gosta de raciocinar. Não, eu não pertenço a "Geração Fitness", mas parabéns a vocês que tem tanta disposição e tempo livre. Deixem-me apenas com as barras de cereal ok? Outros que também acham que malhar é um consumo de tempo um tanto efêmero resolvem obter um resultado mais eficaz e rápido usando anabolizates... (Eita assunto chato! todo mundo fala disso e eu aqui no observatório repetindo as mesma lezeiras) Mas que fica bonito, isso fica! Não fosse por parecer que se tem uma íngua no sovaco, alguns inclusive parecem que querem içar vôo por andarem com os braços tão abertos (e existem boatos de que causa impotencia sexual... eu não me atreveria). A vaidade em si é alguma coisa da qual ninguém está livre. Há quem diga, por exemplo, que meus três banhos diários são de extrema vaidade! Que seja, não to com vontade de me defender, só acho que os que leram "o pequeno príncipe" quando foram alfabetizados sabem que o essencial é invisível aos olhos (Né Antoine de Saint-Exupéry?). O problema é que esses aminoácidos não fazem o pensamento desenvolver. Eu me pergunto... como é que alguém fica bonito? O cara no link abaixo resolveu cortar a perna nesse intento (deixa ele na onda dele eu gosto da minha perna) Mas eu não vou ditar nenhum axioma de beleza. Aqui é somente um observatório. Sem querer contanminar o "bom gosto" de ninguém eu só gostaria de direcionar os olhos pra algo mais imperecível...
Pois como diria um grande amigo meu chamado Vinícius Gomes (e eu to no meu blog e cito quem eu quiser nessa porcaria) "A beleza é passageira mais a feiura é eterna"

quanto a mim?
Eu vou ficar no meu observatório contemplando a imensidão...

http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=3047

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Eu, interesseiro.

Alguns pensam que existem pessoas iluminadas no mundo que não constroem relações por interesse, francamente... Eu desconfio, inclusive e principalmente do Dalai Lama. O tal do amor incondicional é uma utopia tão perversa que faz enlouquecer aqueles que se metem a besta com ele. Caro leitor, não quero em hipótese alguma levantar uma argumentação irônica e extremamente pessimista, mas o grande problema é que não existe relação inter-pessoal sem interesse na balança e é só ver como são raros casamentos entre pessoas de círculos sociais diferentes... Um grande poeta (certamente embriagado) nos presenteia com a constatação de que no fim das contas a única companhia que temos é a da ingratidão (é por ai né Augusto dos anjos?). Porém não sejamos fatalistas. Os interesses por muitas vezes são motivados por dinheiro isso é bem verdade não sejamos hipócritas (até porque os hipócritas eram ótimos atores e isso é coisa rara hoje em dia) e também é fato que existe uma espécie de filtro que seleciona que pessoas que merecem ou não participar do círculo, acha ridículo? Atire a primeira pedra. Mas com toda falsidade, e não é pouca, ainda existe aquele interesse com o qual eu ainda me iludo concebendo como saudável. Existem proveitos nas relações que não se estabelecem sobre o poder financeiro ou fama ou ainda conhecimento de qualquer que seja a área. Existe também e isso é a minha última esperança de achar que o ser humano presta pra alguma coisa, o interesse na pessoa em si. Existem pessoas cuja maior riqueza é a sua própria essência (não é por nada não, mas essas me interessam) e um segundo grupo de pessoas, que não são só inteligentes ou espertas, mas também são sábias. Pessoas sábias que são extremamente interesseiras e que com uma ganância não crível ficam à espreita esperando a primeira oportunidade de encontrar alguém com quem se possa enriquecer o espírito e nisso eu sou interesseiro. Assumo. Eu bem que poderia ser um desses dois seres em um só, mas...

Deixe-me apenas continuar no meu observatório contemplando a imensidão...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

David Blaine

A última do David Blaine eu realmente me esforçei pra entender. Quer dizer que são três dias e duas noites de cabeça para baixo? Em breve o próximo desafio do famigerado ilusionista vai ser perseguir os foras da lei em "Gotham City". É difícil conservar um pensamento sadio na cotemporaneidade, ainda mais quando é considerado normal sentar em frente a Tv em média 4 horas por dia! Porém acho que o grande problema esta em ser capaz de digerir essa excrecência toda (não quis falar merda). E as novas propagandas eleitorais? a cada ano se superam! Esses dias subi no ônibus e o motorista era candidato, no final de semana na praia o cara da salada de fruta era candidato e na lanchonete do bairro o balconista me deu um cheese calabreza com um santinho de candidato entre os guardanapos, eles estão me cercando! Socorro! Na verdade eu acho que o David ta se saindo muito mais esperto que eu, esse circo todo ta armado desde que o samba é samba (né João Gilberto?)... pelo menos ele pode ver por outro par de óculos agora. Quanto a mim?
eu vou continuar aqui do meu observatório contemplando a imensidão.